domingo, 17 de abril de 2011

Não tem jeito

A dor, ao invés de melhorar com o tempo, só piora. A ausência dele grita, estapeia a minha face, sapateia, faz questão de se apresentar diante dos meus olhos a cada minuto do dia.

Hoje acordei exausta, e antes mesmo que o sol dissesse qualquer coisa, o meu cérebro disse o óbvio: acabou, ele não está aqui, nunca mais estará. 

Saí da cama com a cabeça pesando, o choro irrompendo... o café da manhã, a despeito das inúmeras tentativas da minha mãe, de dizer qualquer coisa que me fizesse sentir melhor, foi péssimo. Deixei a mesa direto para o quarto, e me entreguei ao desespero total e completo. Nunca chorei tanto, nem senti tamanha dor.

Para piorar o quadro, horas depois, dormi anestesiada pela desidratação, pela falta de forças em continuar chorando conpulsivamente. Tive pesadelos, acordei e desde então fui assaltada por um sem-número de pensamentos, todos numa tentativa desesperada de aliviar esse sofrimento. Não achei remédios, nem venenos. Ainda sim, não descartei a possibilidade.

Compreendo perfeitamente que nem todo mundo consegue suportar, e desiste. Houve um tempo em que eu julgaria essas pessoas; hoje não mais. Como a Cibele Dorsa disse, antes de se atirar do 7º andar: a vida sem o ser amado é pesarosa, dolorida e sem cor. Todo o resto é fingimento, a gente finge que pode suportar, finge que acredita que dias melhores virão. 

Cansei de fingir. 7 dias depois, eu não suporto mais a ideia de continuar fingindo.