quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Confesso que queria que você morresse [logo]

Há coisas que eu tenho dificuldade de confessar a mim mesma; quando pensamentos desse tipo me tomam de assalto, é quase que automático dizer "-não, não pense nisso, não deseje a morte de alguém!".

Numa vibe "aceita, que dói menos", estou deixando que a cabeça pense isso mesmo, sem nenhuma interferência... veremos no que vai dar. O fato é que sim, eu sou dessas, rsrsrs. Preferia não ter que lidar com ~gente~ que nem merece essa designação.

Como não posso mudar o mundo, nem argumentar com Deus sobre as minhas razões [numa tentativa de convencê-Lo a reconsiderar, e antecipar o checkout de uns e outros], eu rezo para tentar me libertar, aprender a fazer a Elza 


Um dia, quem sabe, eu alcançarei a graça divina de ligar o botão do f***-se, e conseguir compreender que somos todos imperfeitos; olhar e aceitar que nem sempre o bom-senso prevalece, e que adult@s imatur@s existem por aí afora aos borbotões, e provavelmente ninguém será capaz de detê-los. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Para você, que vê a vida passar pela janela e não vive

Minha mãe sempre diz que "pena" é um sentimento terrível para se ter em relação a outrem. Dentro da capacidade quase infinita dela, de olhar as atitudes alheias com olhos empáticos, não me recordo se já a vi "sentir pena" de alguém.

***Corta para mim***

Eu sinto raiva... eu guardo rancor... eu preciso conter meus impulsos primitivos na quase totalidade dos meus dias. Anteontem, logo cedo, eu podia jurar que me transformaria no Hulk, ou num super sayajin, e foram necessárias algumas intervenções para evitar danos. Passou.

Sério, há situações que deveriam permitir agressões físicas; não falo em lesão corporal grave, homicídio, nada disso; um tapa daqueles que o Seu Madruga levava da Dona Florinda, lembra? That's what i'm talking about. Sou partidária da ideia de que certas pessoas, que parecem andar por aí anestesiadas, sei lá, um ou dois tapas poderia(m) surtir efeito positivo, tipo reconectar os neurônios. O(s) tapa(s) seria(m) uma espécie de "chupeta mental", mal comparado ao procedimento geralmente utilizado para permitir que uma bateria "arriada" funcione novamente, compreende?

Honestamente, o mundo não me parece um lugar propício para esse povo off-life: gente que não vive, uma coisa numa vibe "walking dead", que se arrasta por aí como se vivo ainda fosse, porém na real não passa de um troço ocupando espaço, enchendo o saco, e que diferentemente do que ocorre no seriado, não tem por objetivo matar/comer os vivos, e que igualmente [infelizmente] não podemos matar. Só nos resta desviar. 

N'algum momento da vida, eu senti raiva de gente assim. Hoje, eu sinto pena. A imagem mental que se forma aqui na minha cabeça é de que são zumbis, sem perspectiva alguma, sem objetivos, uma existência vazia e miserável, com uma "roupagem" de normalidade. Creio que, quando as luzes se apagam, não sobra nada além da imagem borrada e desfigurada no espelho. E medo. Apegam-se às coisas e às pessoas, numa tentativa vã de se manter boiando, não afundar. Uma baita mentira, que se retroalimenta. 

Eu só observo esses arremedos de gente, sinto pena. Nesse ponto, acabei me rendendo à caridade de, pelo menos, rezar. Se antes eu julgava tudo por uma ótica egoísta e orgulhosa de que faziam de propósito para me afrontar, superei a ponto de conseguir enxergar por cima do muro, e ver que não, não é para me aborrecer, é simplesmente ausência de capacidade, de comprometimento, de responsabilidade m-e-s-m-o. Pior: é desamor. 

Fico pensando na culpa que carregam essas pessoas que desamam. E no silêncio, na omissão, de quem tinha obrigação de, se não dar os tapas que eu falei, pelo menos responsabilizar objetivamente, punir, cortar as benesses... em resumo, obrigar a amadurecerem. Seria salutar para o protegido, e libertador para o protetor. 

Enquanto escrevo, questiono-me a quem interessa, e a que se presta a manutenção desse status quo? Seria por que o protetor se sente culpado de algo? Ou seria só o comportamento sanguessuga do protegido? Cenário provável, a meu ver, seria a conjugação de ambos. 

Quem sabe, um dia, eu alcance a evolução espiritual da mamãe, e deixe de sentir pena dessas almas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Pode passar na minha frente...

You know nothing about me. Esqueça Jon Snow, ok? Foque na expressão de desprezo da personagem.



A "casca" que você vê esconde um caldeirão em ebulição constante, numa tentativa insana de contenção diuturna; a doença é um atestado dessa condição, carimbado e assinado. Porque a barragem aguenta até certo ponto, mas não sem cobrar um preço alto, muuuuuito alto. 

A terapia me mostra, quinzenalmente, a ancoragem de um sem-número de dores da infância; ceder, ceder de novo, ser exemplo, ser cobrada over and over, ceder mais um tanto, aqui e acolá. Eu sempre tive que "entender": "-porque você precisa dividir", "-porque você é a mais velha", "-porque é assim que a vida é", "-porque sim", "-porque eu quero", "-porque eu estou mandando". 

Ué, parece que não saí dessa prisão aí... 

Quando eu encontro um ponto de equilíbrio nessa loucura toda, e estabeleço um limite que sequer sei se dou conta de cumprir, já que fui "treinada" para ceder até exaurir toda e qualquer força, vem uma cobrança... outra pessoa teria sido "autorizada" a surtar, mas eu não: não tenho esse direito.

Você sabe o que é viver sob o fio da navalha? Pois é, pode até saber... mas certamente não tem uma plateia esperando [e torcendo] por um passo em falso. Você consegue ouvir os cochichos? Eu sim. A sensação que me consome é a de que esperam de mim que eu me coloque em último lugar na fila das prioridades, cedendo sempre o lugar para o próximo que chegar, de modo que eu permaneça na rabeira, entende? 

E enquanto aguardo as cenas dos próximos espetáculos do circo da minha vida, a música da Pink:

Mistreated, misplaced, missunderstood
Mal tratada, deslocada, mal compreendida

Miss know it, it's all good
Sabichona, tá tudo bem

It didn't slow me down
Mas isso não me parou

Mistaken, always second guessing
Errada, sempre em dúvida

Underestimated, look I'm still around
Subestimada, olha ainda estou por aqui

Welcome to my life. But you still know nothing.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Sobre o intangível e a esperança

Há tantas ponderações sobre a porção intangível da minha vida, que possivelmente nem em três encarnações subsequentes eu seria capaz de [re]avaliar tudo. Os fatos falam por si, e não há como negar que a minha "programação" incluía isso

Não sei dizer ao certo quando eu resolvi, só sei que finquei pé, e não fui demovida da ideia de ir contra o mundo para sustentar essa decisão. Lá pelas tantas, bem próximo da linha de chegada, eu quis parar e olhar a paisagem do caminho, recuperar o fôlego, mudar a rota, sei lá... eu só queria parar, desistir. Incentivada a prosseguir, rompi a faixa e venci a primeira etapa da corrida.

Ainda desnorteada, sem qualquer certeza sobre o que viria a seguir, eu me deixei conduzir pelo fluxo... o que para muitos era uma meta a ser atingida, uma questão de vida ou morte, para mim era só uma etapa a cumprir, pro forma. Creio que tenha sido nesse exato instante que eu senti o peso das expectativas alheias; de joelhos, sustentando o insustentável, percebi que não havia volta. E não houve, da fato. O rio segue para o mar, não é verdade?

Contudo, a matemática "divina" provou que dois-mais-dois-são-quatro, e o nome na lista chancelou o destino, aquilo de que eu [já] me dei conta de que nunca conseguirei escapar. São tantos chamados, incontáveis vozes, e a corrente segue presa ao tornozelo; não há como me desvencilhar daquilo que estava escrito.

Obviamente, e fitando a hipocrisia sorrindo enquanto escrevo essas linhas, nem tudo foi só sangue e ferida; há sorrisos nessa história, assim como espólios dessa guerra que perdura há 11 anos. Rego, diariamente, a esperança de que esse ciclo de expiação se encerre; ou que eu ressignifique tudo isso, e descubra um afeto escondido nos recônditos de minh'alma, vivendo todos os dias até o fim da vida, contente por não ter sido capaz de desistir. 

Enquanto os ventos não mudam, eu agradeço a Deus; porque fé é isso, né? Crer naquilo que [ainda] não se vê.