terça-feira, 21 de setembro de 2010

(Im)paciente

A gente está acostumado com notícias sobre a situação da saúde neste país. Ok, a pública é o caos em absoluto, fato! Só que não costuma ser notícia o péssimo atendimento dado aos usuários de planos de saúde. Paga-se por algo já custeado por altíssimos impostos, sob o pretexto de obter atendimento rápido e eficaz.
BALELA!

Desde que minha família tornou-se usuária da Unimed, por que$tões pe$$oais (nosso plano anterior era Camed, much better), a cada doença, a via-sacra tem início: hospital lotado pela virose do momento, precariedade em todos os sentidos. Como o meu querido pé esquerdo não se contentou com o imobilizador, fui obrigada a procurar um "especialista". Lá vou eu, 15h de uma segunda-feira, ao famigerado Hospital Regional Unimed.

Enganei-me por crer que, em razão do atendimento ser "especializado", não haveria tanta gente aguardando. Parcialmente certa, fui atendida após uns 20 minutos. A médica, ortopedista, pede para que eu retire a órtese. Faz perguntas do tipo "quando aconteceu a entorse?", "dói quando aperto aqui, e assim?". Pede um raio-x.

A loira iludida consegue que a pobre e ranzinza atendente autorize o exame, e vai. A cena é dantesca: um corredor l-o-t-a-d-o de gente aguardando pelo mesmo serviço. A tv de lcd, linda, penduradinha num canto do corredor, dá a sentença: 25 pessoas a minha frente, sem contar as prioridades. Calculo, por baixo, uma espera (em pé, as cadeiras estavam todas ocupadas) de 3 a 4 horas.

Decidida a ir embora, consulto a recepcionista, que me informa que a modalidade do meu plano não possui outro local de atendimento, e que a consulta não poderia ser cancelada. Conformada, pero no mucho, espero uma chance de, furtivamente, adentrar o consultório outra vez. Sai uma simpática senhorinha, e eu entro na cara-dura. 

Pergunto, sem pestanejar, a importância do exame para a conclusão do meu diagnóstico, e explico a situação das 25 pessoas aguardando. A ortopedista murmura algo ininteligível, pega meu prontuário e faz anotações. Entrega uma receita de um remédio para tomar de 8h/8h (não diz por quantos dias, nem coloca a opção sobre genérico), e também uma guia para fisioterapia.

Vou embora, e com a graça de Deus, pelo menos dessa vez não paguei pelo estacionamento. Isso siginifica que a minha jornada ficou dentro da 1h de franquia. Saí de lá do mesmo jeito que entrei: insatisfeita. O pé dói, óbvio, a medicação é a mesma que sempre tomei para casos semelhantes, e a tal fisioterapia é a treva, que sempre odiei. 

Agora, escrevendo este post, acabei por me dar conta de que perdi tempo e dinheiro indo até lá: eu já sabia o que eu tinha, a medicação que deveria tomar, os demais procedimentos. Não acrescentou nada. 

Eu honestamente odeio esses planos de saúde. Estão conseguindo me convencer de que é melhor pagar consultas particulares, e ser atendida por médicos de verdade, competentes, que realmente se importam (ou com o $$ que cobram pela consulta, ou com o paciente, whatever): pelo menos transmitem aquela sensação que conforta o paciente.