segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nunca estamos preparados

Desperdiçamos nossos dias com ganância, egoísmo, insensibilidade, ambição desmedida... E deixamos de dizer "eu te amo", de abraçar, de beijar, de sair da companhia das pessoas com quem convivemos com bons sentimentos, bons pensamentos.

A gente perde tempo discutindo e reclamando do salário, do emprego, da vida, do que a gente acha que precisa ter para ser feliz.

Aí um dia acorda e descobre que alguém que você admira, um ser humano cheio de vida, teve sua centelha divina apagada pelo Criador. Aí você se pergunta: Por que? Como? Quando? Ninguém tem essas respostas.

Não é fácil aceitar a partida precoce de alguém. Ainda mais em condições trágicas como as que vitimaram Aniery Medeiros Grigoli, minha chefe, 38 anos, muito bem casada há 18, dois filhos (um com 4 anos). Sabe aquela pessoa que você tem a mais absoluta certeza de que vai ser sua amiga? Pois é, senti isso no dia da entrevista, e o reforço dessa certeza era diário.

Almoçamos algumas vezes juntas, fui a uma única audiência com ela. Infelizmente, não tivemos tempo de cultivar a amizade. O sorriso sincero, a carinha de sono todas as manhãs, tudo isso agora é só lembrança. Até a mudança da qual falei noutros posts, estavam aguardando a aprovação dela.

Agora, o que me resta é a baia vazia ao meu lado, o caderno inseparável, o cantinho que estava organizado, esperando pelo retorno dela. Fica a vontade de ouvi-la reclamar do ar condicionado em cima dela, ou do barulho dos estagiários, ou da demora em servirem água e café.

O desafio agora é dar continuidade ao trabalho dela. Pois é, não sei nem por onde começar. Não houve uma despedida, mas precisa haver futuro, o departamento jurídico é o coração da empresa, não pode parar.  A verdade é que o mundo não para a fim de que consertemos nossos corações despedaçados por essa perda.

Any, onde você estiver, nossas orações e desejos de que a espiritualidade a ampare; e que Deus tenha um propósito para a sua partida do mundo físico.