quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Estamos todos loucos

Outro post da série "Clandestinos"...

Quarta-feira, entre 7h30 e 8h, estava dirigindo com a tv (do celular) ligada, ouvindo as notícias via Globo. Não é padrão, afinal, costumo dirigir ouvindo boa música, já que o caos do trânsito deixa qualquer um transtornado. Mas daí ao que percebi hoje...

Fortaleza, como se sabe, não é uma cidade projetada. Tampouco os gestores tiveram a preocupação de planejar o que foi um dia futuro, e hoje é um péssimo presente. Daí a desordem. Não pretendo aqui discutir os incentivos para a aquisição de veículos, IPI reduzido, parcelas à perder de vista. Não! 

O maior absurdo nisso tudo é a forma como as pessoas (aqui eu me incluo) tem se comportado no trânsito, com foco na paranóia generalizada dos motoristas. Claro que pedestres, ciclistas, aqueles(as) que tracionam carrinhos de reciclagem, prejudicam, todos a seu modo, também por imprudência.

Pior somos nós, motoristas de veículos de passeio, caminhões, ônibus, motos... padecemos da doença do atraso, da falta de cordialidade, do egoísmo sem limites. Transformamos nossos carros em armas, nossas mentes em máquinas desprovidas de bom senso. A minha pressa é sempre a maior de todas, a minha urgência de deslocamento não leva em consideração mais ninguém. Eu, eu, eu. 

Somos uma legião de solitários condutores, sedentos por atravessar a cidade em tempo recorde, ordenando que os demais liberem o caminho. Quase reis, hein? Não conseguimos sequer aguardar o tempo de reação dos demais, frente ao farol aberto. Mão e buzina transformaram-se numa só coisa. É automático, basta a luz verde sinalizada, e uma buzina será ouvida. Sempre.

Loucos. Creio que se me filmassem enquanto dirijo, eu me reconheceria em diversos desses comportamentos ridículos e paranóicos. Mas hoje, não sei por qual motivo, percebi que estamos fora do prumo. Paciência! É o que falta, mais ainda do que o próprio tempo, que vivemos perseguindo sem alcançar. 

A partir deste post, vou monitorar meus comportamentos enquanto dirijo. Minha humilde parcela de contribuição para um mundo (ou uma Fortaleza) menos doente.