quinta-feira, 15 de março de 2012

Os sinais, o atropelamento, a recuperação

O vídeo, Renato Russo e Marisa Monte acordaram ontem um gigante adormecido. Só que foi a terapeuta que me "autorizou" a mantê-lo acordado, para que faça o que precisa ser feito, e volte ao estado de repouso.

Eu me permiti sofrer em uma ou duas das vezes em que rompi. Só que eu deveria ter aceitado os sinais, e mantido a decisão... mas decidi prolongar um sofrimento. Ignorei a minha inteligência, dei espaço para que o emocional tomasse a dianteira. Resultado? O previsto, desde o início.

Num rompante de lucidez, quebrei a barreira. Aqueles grilhões não combinavam nem com a minha personalidade, nem com os meus sapatos, rs. Saí correndo, porque experimentar a "liberdade" é como ter sede e avistar uma fonte cristalina. 

Só que atravessar a rua exige atenção... foi aí que eu me arrebentei. Fui, literalmente, atropelada. O lado racional, novamente, disse para ignorar a dor, levantar e seguir em frente. Continuei. Só que os danos internos merecem atenção, coisa que eu não dei. Resultado? Hemorragia, fraturas... 

Só ontem é que fui entender a extensão dos danos, através daquelas lágrimas todas no caminho até o consultório, legitimadas pelas palavras da Suyanne. A "criança" interna está magoada, precisa de atenção e cuidados. Desde que terminou a sessão, sinto-me na UTI. Só que, no sentido figurado desse tratamento intensivo, não estou sendo monitorada por uma equipe, só por mim mesma. Sou a enfermeira que troca o soro, os curativos, o médico que checa o estado geral, a camareira que troca os lençóis e as toalhas.

Ao contrário do que eu estava fazendo, ignorando esses ferimentos todos, estou me permitindo autocompaixão. Sou eu que estou à cabeceira, acariciando meus cabelos, enquanto ao fundo, Renato Russo canta "mas tudo bem, tudo bem, tudo bem...". Daqui a pouco, espero que Marisa Monte venha e cante "faça sua dor dançar, atenção para escutar, esse movimento que traz paz".