domingo, 17 de outubro de 2010

Quando começa a melhorar...

Bom, costuma-se dizer que nada é tão ruim que não possa ficar pior... E é verdade. 

Sexta havia uma pseudo-programação noturna, que por razões de cansaço, rsrsrs, acabou não se realizando. Só a sister que encheu a paciência até me convencer a levá-la ao Ceará Music, por causa do bendito show do Black Eyed Peas. 

Todo mundo acabadinho, rsrs, depois de um banho e um lanche/jantar engordativo porém divino, estávamos vendo tv e esperando a hora de ir "fazer o frete", como diria mamis. Falando nela, aparece... bate à porta, e diz "Léo, rápido, ajuda aqui porque o 'seu joão' caiu e a gente não consegue abrir o portão para entrar, vai ter que pular o muro".

Adivinhem só se eu não saí correndo, descalça, tentando derrubar a droga do portão??? Mas o namorado pulou o muro numa agilidade tão grande que virou motivo de piada depois, rsrs. Pois bem, ele entrou, abriu o portão por dentro, e vimos o vovô caído no cão, de joelhos, sem conseguir se mexer. Nunca consegui abrir cadeados com tanta destreza como naquela noite.

Corri, e sozinha, Deus sabe como e com que força, levantei-o e sentei-o na cadeira. O joelho esquerdo já estava arroxeando, com umas partes em que a pele foi arrancada superficialmente. Amado me ajudou a levá-lo para dentro, sentá-lo na poltrona dele, e colocamos bolsas com gelo nos dois joelhos. Coitado, disse que caiu porque a campainha foi tocada insistentemente, e ele, numa tentativa de se apressar, caiu na sala. Conseguiu se arrrastar, levantou, e quando chegou ao portão percebeu que estava sem a chave. Voltou, e caiu em frente à porta.

Foi esse segundo tombo que assustou minha mãe, que estava com a minha avó do lado de fora, e a campainha insistentemente tocada era obra dela. 

Mamãe decidiu que iríamos manter a programação inicial, e ela levaria o vovô ao hospital. Fomos deixar as meninas no Marina Park, e voltamos para casa. O combinado era que quando o vovô voltasse, a gente colocaria na cadeira de rodas e subiria pela rampa. Para minha enorme surpresa, o que a gente achava que tinha sido só um tombo, resultou numa quase fratura.

O fato é que o osso da perna, logo abaixo do joelho, trincou. A radiografia é bem nítida. Isso resultou num gesso que vai da virilha até o pé, incluindo este no gesso. Poxa vida, 86 anos, Parkinson que prejudica a mobilidade, na medida em que enrijece a musculatura... ainda fica engessado com mínimas possibilidades de movimento. 

Para retirá-lo de dentro do carro, quase morri com a força sem apoio. Isso porque Léo segurava pelo tronco, e eu segurava as pernas (uma engessada), e tinha que sair ao mesmo tempo. A cadeira de rodas não possui aquele suporte que permite que a perna fique para cima, o que dificulta ainda mais para movimentá-lo.

Colocamos na cama, e eu saí de lá com o coração apertado. Já tão debilitado pelo Parkinson, recém operado por causa do câncer de pele, e agora preso a uma cama, dependendo dos homens da família para tomar banho. 

Como eu disse no início... sempre pode ficar pior! Mas, em compensação, serve de lição de vida para quem vive ao redor. A gente precisa reclamar menos, e ajudar sempre mais.

Hoje o almoço vai ser na casa dele, para comemorar o aniversário da Rebecca, minha prima fofa! Vou levar a bandeja que comprei ontem, daquelas com pezinhos, para dar mais conforto nas refeições.