domingo, 24 de outubro de 2010

Incoerência

Sinto um cansaço absurdamente incomum. Nada tem causado empolgação, nem trazido ânimo, a ponto de provocar mudanças na minha forma de viver. As cobranças, na contramão, tem crescido a olhos vistos... É preciso malhar, é preciso emagrecer, é preciso estudar para concurso, é preciso se encaixar num padrão imposto pela sociedade. Isso cansa!

A cada dia, a cada refeição, a cada oportunidade, uma nova alfinetada.

Talvez por isso eu sinta crescer em mim, mais e mais, uma imensa vontade de dormir por horas a fio, a fim de fugir dos olhares, das críticas, dos julgamentos. 

Ok, eu realmente não estou feliz com meu peso, mas essa pressão ridiculamente absurda causa em mim o efeito oposto: quanto mais se fala, menos me empolga. Quando pressionada para estudar para concurso, sinto-me acuada, reagindo como qualquer bicho encurralado.

Infelizmente, não sou apaixonada por exercícios físicos. Para mim, são sinônimo de tortura. Só de pensar nisso, sinto náusea. Honestamente, admiro quem é viciado em corrida, por exemplo. Mas não sinto a menor inveja! Já os estudantes profissionais merecem aplausos, pelo desprendimento em passar 2 ou 3 anos sentado em cadeiras de cursinhos, bibliotecas, etc., com o propósito de um cargo público.

Hoje, se eu fosse descrever como enxergo minha vida, poderia seguramente dizer que estou à deriva. Profissionalmente, sinto-me fracassada, já que não consigo um emprego decente; também não tenho garra para abdicar de tudo e estudar para concursos. Sentimentalmente, um namorado que corre léguas de um compromisso formal, denominado "casamento", ainda que já vivamos uma situação equiparável a isso.

Para não enlouquecer, cortar os pulsos, a saída é rezar. Minha fé sustenta os dias que se passam, sem mudanças significativas. Por mais que nada se altere substancialmente, sei que haverá uma saída. Aliás, o mundo tem-se movido, devagar e lentamente, mas não permanece estático. 

A questão principal é nunca desistir. Aceitar as coisas como elas são também é importante. Acreditar no que se diz, ou escreve, como é o meu caso agora, é fundamental. Preciso crer que posso mudar, preciso aceitar que sou fraca e aceitar ajuda de quem se propõe a isso. Tenho que continuar rezando, para exorcizar meus medos, minhas angústias, minha inércia. 

Escrevo tudo isso para me convencer sobre a necessidade de mudar, de aceitar, de seguir adiante. Não é tarefa fácil, já que não encontro argumentos para refutar minhas próprias questões. Não entendo o que escrevo, não compreendo o que digo, não sei traduzir meus pensamentos. Afinal, por que razão escrevi esse post? Não sei... só sei que um cansaço incomum toma conta de mim outra vez.