sábado, 30 de outubro de 2010

Clarice Lispector II

"Não entendo. 
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. 
Entender é sempre limitado. 
Mas não entender pode não ter fronteiras. 
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. 
Não entender, do modo como falo, é um dom. 
Não entender, mas não como um simples de espírito. 
O bom é ser inteligente e não entender. 
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. 
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. 
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. 
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Não entendo por que tinha que ser assim, nem essa dor lascinante, nada. Era para ter sido diferente. Era. Foi. Acabou.

Preciso aceitar, seguir em frente... Mas ninguém ensinou como se vive em fragmentos de ser humano, de alma e coração. Pelo visto, descobrirei por mim mesma.