terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pequenas mudanças, grandes diferenças

Desde domingo, quando comecei a ler o livro "Magra? Não! Gorda em recuperação!", percebi que a autora podia ser eu. Sim, porque o depoimento ao longo do livro é bastante similar ao que vivi, em termos de problemas de aceitação, dietas mirabolantes e muito, muito mal estar por causa de 1, 2 ou 10kg de sobrepeso.

Ok, nunca fui obesa, mas a gente vive numa sociedade onde o padrão estabelecido é a magreza, ainda que cultivada à base de bulimia e/ou anorexia. É como se pouco importasse quem você é, o que faz, nada. Nem os seus diplomas e cursos. Se está acima do peso, é vista como uma fracassada.

Não bastasse a sociedade bombardeando, as cobranças que a gente se auto impõe, algumas pessoas fazem questão de impingir sofrimento ainda maior, com indiretas, olhares reprovadores quando estamos comendo, comentários depreciativos e toda sorte de maldades.

Percebi a carga enquanto tomava sorvete, após o almoço de domingo. Notem, eu estava sozinha na cozinha, e ainda sim uma culpa gigantesca se apoderou de mim. Era como se eu estivesse, mal comparando, contrabandeando drogas. Pelo amor de Deus, que raios de vida é essa? Claro que posso tomar uma taça de sorvete!

Aí fiquei matutando sobre as inúmeras vezes em que me senti assim, reprimida...

À noite, resolvi quebrar as amarras que coloquei em mim mesma: fui caminhar. Poxa, não é difícil, não demanda esforço hercúleo, nada. Sim, aí você pode se perguntar por que eu demorei tanto para fazer isso. Respondo: era a minha forma de lutar contra a repressão. Uma forma idiota, agora eu reconheço... 

Foram 40 minutos libertadores, embalados por músicas que falam justamente de libertação. Percebi que as desculpas perderam o sentido. Eu não precisava de companhia, nem de uma trilha sonora montada especialmente para a ocasião, nem de tênis ultratecnológicos (apesar de o meu ser próprio para corridas). Sequer me preocupei com o que comer antes e depois. Simplesmente me deixei levar.

Ontem, saí do escritório pensando no sushi que costumo comer às segundas-feiras. Com alguma estratégia, rsrsrs, minimizei a possibilidade de encontros casuais... peguei as peças que mais gosto, pedi sashimi e levei tudo para casa. Assim que cheguei, mamãe chegou alegando estar faminta. Ao contrário do egoísmo que costumava me acompanhar, convidei-a para comer comigo.

Quando terminamos, ela foi ao centro espírita, e eu fiquei vendo um programa chamado "Quilo por quilo", no canla Discovery Home and Health. Fiquei abismada ao ver que a moça perdeu, ao longo de 12 meses, nada menos que 73kg. Por Deus, o que ela perdeu de gordura é quase o peso de um ser humano médio! E eu fiquei ali me perguntando o que me impedia de levantar imediatamente e ir caminhar. Nada, foi o que concluí.

Sozinha em casa, e sem desculpas, lá fui eu caminhar outra vez, só que sem música. Decidi que seria um momento de auto-análise, e foi explêndido. Senti até a postura diferente, sem aqueles ombros cansados, arqueados para frente. Poxa, e sequer contei o tempo dessa vez, limitei-me a dar 4 voltas, o que dá uma média de 3,6km. 

Voltei para casa bem feliz, tomei banho e fiquei vendo tv até dormir. Notem, eu não comi, nõa belisquei, nada. Zero fome, sem desespero por comida. Nada. Só uma sensação boa de que as coisas estão nos eixos, e agora eu posso dizer que sou uma gorda em recuperação.