domingo, 5 de fevereiro de 2012

"A lua me chama eu tenho que ir pra rua"

Amigos são, de fato, irmãos que escolhemos manter nessa vida. Por sinal, não posso reclamar dos que caminham, seja ao meu lado, seja observando os meus passos (ainda que de longe). São essenciais para a minha existência, tanto quanto o ar que respiro, ou o Deus no qual acredito.

Pois bem, diferentemente dos episódios anteriores dessa mini-série, não recorri a qualquer deles, de imediato. Simplesmente fechei a porta, retornei ao quarto decidida a atender ao "chamado da lua" (da música do Lenine): tomei banho ouvindo música, coloquei um vestido, caprichei na maquiagem e saí, sozinha.

Ao chegar ao destino, procurei rostos conhecidos, não achei. Decidida a aproveitar o momento, sentei e fiquei ouvindo música. Foi quando percebi uma coisa: os olhares. Juro que após tanto tempo de "lavagem cerebral", eu me via disforme, incapaz de atrair a atenção de alguém. Pelo contrário, lá estava eu, vendo e sendo vista.

Um episódio engraçado ocorreu, mas não vou descer aos detalhes... a lição que tirei disso tudo é: estou viva, sou bonita e capaz de ser vista. Claro, posso aperfeiçoar o "material", mas será por satisfação pessoal, pura e simples. Nada de cobranças absurdas, descabidas. Deus fez a cada um de nós, e sabe exatamente por que alguém é gordo, magro, narigudo, alto ou baixo. 

Aprendi com isso tudo que preciso me respeitar, aceitar quem e como sou, para então reinventar, dentro de um padrão possível, atingível. Nada de sandices, cirurgias eletivas desnecessárias, academia como prioridade na vida, enfim...

Hoje, enquanto conversava e ria com Fernando, sentada à mesa da barraca de praia de sempre, atendida pelo garçom de sempre, percebi o quanto eu me permiti boicotes, inclusive auto. A vida é tão mais que um corpo (lipo)esculpido... é feita de bons momentos, de risadas, de silêncio e som. 

Obrigada, Deus, por haver me feito exatamente como sou, e pelos amigos que me amam com ou sem sobrepeso.