quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Viva o luxo, e morra o bucho!

Ontem, uma amiga relatava sua revolta com o "sistema", suas injustiças, disparidades, tratamentos diferenciados com base no grau de complacência, tudo supostamente "profissional". Mencionou, por diversas vezes durante nossa conversa, os desgastes emocionais e físicos, resultantes da vã tentativa de nadar contra a maré, ou mesmo de se manter boiando.

Quem me conhece sabe o quanto eu luto para não tomar para mim a briga, ou mesmo os [maus] sentimentos alheios. Mas é de mim, sou assim, do tipo que compra a briga, se preciso, inclusive literalmente. 

Daí hoje pela manhã, vendo algumas atualizações no Facebook, deparei-me com um "jogo do contente" (quem leu os livros "Poliana" e "Poliana Moça" sabe do que estou falando). Um simples comentário no melhor estilo "hakuna matata" (by Timão e Pumba, do filme O Rei Leão, e do desenho em nome da dupla), atiçou a minha fúria.

O "sistema" é um retrato fiel da sociedade: hipócrita, vive de aparências, estimula a competição desleal, paparica e premia a desumanidade e a falta de caráter. É como aquela família cujo casal trai em caráter recíproco, às claras, e onde não há respeito a qualquer valor moral, mas que promove rega-bofes de supostas datas simbólico-comemorativas de alto luxo, posando de "família de comercial de margarina".

Na prática, imagine que estamos falando do casal supra mencionado. Bastava o mínimo de respeito ao ser humano. Tipo, tratar com dignidade a criadagem, pagando-lhes salários compatíveis à dedicação, e não ao puxa-saquismo. Cordialidade uns com os outros, ensinando aos filhos bons exemplos de civilidade. Ao invés de encher os buchos bem-nascidos igualmente hipócritas, oferecer durante o ano todo melhores condições de trabalho, proporcionar à prole do operariado a oportunidade de ser diferente. Enfim, são tantas possibilidades de fazer do mundo um lugar melhor!

Ninguém melhor que os "domésticos" para conhecer as entranhas em franco estado de decomposição. Será que nenhum "burguês hipócrita e pançudo" pensou nisso, até hoje? E quando a sujeira começar a retornar dos ralos, como ficarão as coisas???