terça-feira, 13 de setembro de 2011

Retrospecto

Eu não sou a melhor filha do mundo, e nunca fui. Também não sou a pior, nem fui. O fato é que eu meio que estraguei a vida da minha mãe, quando dei o ar da graça na história, tornando-me uma boa desculpa para justificar um casamento. Tosco, rs, mas tem um fundo de verdade.

Não sei se fui enjoada para comidas, se passava noites em claro, mas me recordo bem de otites e tímpanos rompidos, garganta inflamada, e por consequência, consultas e mais consultas médicas. Ah, claro, a adolescência foi permeada de talas gessadas e gessos propriamente ditos. Quem não se recorda do antebraço direito fraturado, e aquela cara de raiva contida? Até banho ela queria que eu tomasse, fez a nossa secretária me dar o jantar na boca, tomou banho e foi com toda a raiva do mundo ao traumatologista comigo.

Óbvio que foram inúmeras entorses, posteriores ao episódio do braço. rsrsrsrs

Creio que, por causa da cara que ela fazia quando eu anunciava qualquer enfermidade, eu desenvolvi mecanismos de autosuficiência: para otites e noites em claro, ferro de passar e fronhas; para cálculos renais, lágrimas e travesseiro; para entorses, idas sozinha às emergências. E por aí vai. Cortava bifes com tesoura de frango, fazia tudo sozinha com o braço engessado. 

Mais uma vez, devo ressaltar que não se trata de uma cobrança, tampouco de uma pintura feia das atitudes da minha genitora. Tudo isso é só para dizer que ela fez uma escolha quando me deu a vida, e continuou escolhendo, durante o processo de criação e educação. Bem ou mal, eis-me aqui, formada, trabalhando, escolhendo.

E nesse dia tão especial, três palavras definem tudo: i love you

Feliz aniversário mãe!