quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Divagando em contos

"Acordou antes mesmo que o despertador anunciasse a hora. Não se ressentiu, espreguiçou-se delicadamente, de forma quase poética, como se ao fundo houvesse música suave... alcançou o robe que repousava sobre a poltrona, alinhou os cabelos emaranhados num quase-coque, e seguiu. 

O reflexo no espelho - muito além de um rosto meio inchado - revelou o que a alma não podia esconder... sorriu. 

Como que flutuando, seduzida pelo cheiro de café que tomava conta da casa, rumou à cozinha, mas não sem antes tropeçar no cãozinho que sacodia freneticamente o rabo, à espera de afago. Entre um gole na xícara de café e um cafuné no pet, viu os minutos se apressando em passar.

Nada, nem ninguém, ainda que com muito esforço, seria capaz de lhe estragar o dia... nem o atraso, nem o trânsito, nem as atribulações profissionais. O sentimento que lhe preenchia servia não só de escudo, mas também de espada. Aos olhos alheios, nada fere mais que uma mulher feliz por ser amada."