quinta-feira, 17 de março de 2011

Personagens em São Luis

Como mencionei noutro post, estive na capital maranhense há 2 dias. Ao desembarcar, deparei-me com a tradição musical, que em nada me apetece: o taxista, figura de meia-idade, com o rádio em volume considerável brandava reggae a ponto de instalar em mim um desespero... uma vontade de dar meia-volta e volver.

Deixou-me no hotel, onde dois elementos bem distintos me atenderam: o recepcionista, com seu-texto-decorado-não-passível-de-interrupção-sob-pena-de-esquecimento-do-que-fora-decorado (ufa! cansei nas primeiras palavras, e só me recordo do cartãozinho entregue com o telefone da recepção, e o horário do café-da-manhã. O outro, o mensageiro, simpático todo, prestativo à beça, cheguei a pensar que ele se ofereceria para desfazer minha mala e concluir os serviços com massagens nos pés, rsrsrs.

Na manhã seguinte, ainda cambaleando, fui surpreendida pela presença do tal mensageiro, agora devidamente paramentado para servir o café no "restaurante": de touca no cabelo e tudo o mais. O sorriso era intimidador, de tanta franqueza e satisfação. Mas o curioso ainda viria a seguir: o próximo taxista.

Corintiano, cara de Papai Noel (barba branquinha feito neve), aborrecido com o trânsito e revoltadíssimo com os poderes constituídos, em especial o Judiciário. Relatou-me o caso mal sucedido entre ele e a concessionária de água e esgoto do Estado. O descrédito dele na justiça causou-me vergonha! Ainda sim, simpatizei e combinei que ele me levaria ao aeroporto naquela tarde, às 16h. Conversamos tanto, aliás, que até esqueci de pegar o recibo da corrida, rs.

A juíza trabalhista, simpática toda, revelou-se irmã de um caríssimo professor que tive na graduação, que por sinal é um muito competente Procurador do Estado. Acordo feito, fui igualmente bem atendida na secretaria da vara, onde providenciaram tudo para que eu pudesse deixar encaminhados os próximos passos do processo, e retornar à Fortaleza tranquila.

Ao término das atividades forenses, liguei para o dito taxista (Sr. Benedito), mas ele estava em consulta com o urologista, pediu desculpas por não poder ir me buscar, e reiterou nosso compromisso da tarde. Ok, desci e felizmente havia outro taxista parado em frente à sede do fórum. Enquanto me conduzia ao escritório da empresa, reclamava dos buracos e do trânsito (aliás, cabe aqui um parêntese: Fortaleza está igual, ou pior, em termos de abandono. Triste constatação). 

Já a caminho do hotel, ele falava de política, e de como os ocupantes do Executivo, municipal e estadual, revezavam-se em sucatear o Maranhão e capital. Passando pelo Centro Histórico de São Luis, ouvi dele a frase mais engraçada (e absurda) dos últimos tempos: os prédios, assim como os buracos na via, são tombados pelo patrimônio histórico. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Vejam só, São Luis não padece dos males da frota veicular de Fortaleza, mas ainda sim tem vias em péssimo estado de conservação. Os palacetes, belíssimas construções por sinal, a despeito do tombamento, encontram-se feios, sujos, e se vê modificações estruturais que deviam ser crime passível de pena de morte! Uma pena! 

Voltando às figuras maranhenses, não podia deixar de falar do recepcionista-guia turístico-gerente de hotel, rsrsrs. Ele me deu dicas de onde almoçar, e por onde caminhar nas redondezas. Ganhei, além da experiência de vida, algumas [poucas] queimaduras solares. Porque, dada a empolgação de estar num lugar tão rico de história, cometi o lapso de sair caminhando desavisadamente, sob o sol, sem proteção solar.

Por fim, não podia deixar de reiterar minha decepção com o atendimento da Casa do Pão de Queijo, lá no aeroporto... mas isso já falei no post anterior.