quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ao vivo, o vício.

Já diz o ditado: se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé. Hoje de manhã tive esse choque de realidade, comprovando o ditado.

Nos arredores do local onde trabalho hoje (escritório, prédio em frente à Beira Mar, Fortaleza/CE), há um imenso fluxo de turistas. E já sabe, turista atrai mendigagem (sem querer, óbvio) e prostituição (na maioria das vezes, quer sim!). Onde há discrepâncias sociais, há uma ferida aberta, purulenta, que não cicatriza: drogas.

Eu venho e vou, alheia a tudo isso. Acho que passamos a nos "acostumar" com a "paisagem": basta segurar com veemência a bolsa e demais objetos pessoais e seguir adiante. Só que nessa manhã de quarta, dia 19/05, eu estacionava o carro quando vi uma criatura de uns 15 anos, maltrapilho, olhos perdidos, e uma lata de refrigerante cortada, enfiada na boca. Era cola, com certeza.

Sabe que horas foi isso? Oito da manhã!!! Fiquei atordoada. Ele passou direto, creio que nem notou o carro, ou quem estava dentro. Desci e fui caminhando, pensando na cena. Pois é... aquele monte de latinhas cortadas das quais eu costumo desviar no trajeto até a academia servem para isso, recipiente para cola.

Taí... eu que sempre vi esse tipo lastimável de acontecimento pela tv, no conforto da minha cama, presenciei um ser humano na mais absoluta degradação, provocada pelo vício. E me perguntei: até quando vamos ver tudo isso pela tv, mudar de canal e fingir que não acontece?

Honestamente, não sei o que responder a mim mesma...