sexta-feira, 13 de julho de 2012

As janelas que Deus abre


"Olhava compulsivamente para o relógio no canto direito da tela do computador. 'Faz 3 dias que são 15h', pensava consigo. Inúmeras tentativas de ocupar o tempo e a mente, com produção significativa para quem não queria estar ali. Havia finalmente desenterrado um caso pendente há meses, e que com o toque de varinha mágica, ganhou vida.

Rabiscava um papel, espalhava e reorganizava pastas, mas o pensamento estava longe... consultava o celular em busca de mensagem de texto, ou atualização em redes sociais... nada aplacava aquele vazio, tampouco amainava a angústia que lhe sufocava. Chorou escondida, imóvel.

O movimento das pessoas transitando pelos corredores, o som dos carros, o vento que assolava as janelas, o ruído do cotidiano, tudo aquilo incomodava. Ela desejava o silêncio e a paz de um abraço, o afago e o olhar de cumplicidade. 

'Oh Deus, 15h15', pensou, enquanto futricava os aplicativos do celular. Até que uma mensagem apareceu, e uma sensação boa lhe assaltou. E lendo, viu-se rindo e sentiu as bochechas esquentarem, sinal de que estaria ruborizada, como sempre acontece quando sente vergonha. 

Naquele instante, viu acender uma luz em meio às sombras do que havia se tornado a sua vida, desde os últimos acontecimentos. Percebeu que Deus fecha portas, mas abre janelas com vistas lindas. E decidiu se debruçar por sobre uma destas, para contemplar a paisagem.

'Seja feita a Tua vontade', mentalizou, enquanto respondia aquela mensagem de texto."