domingo, 28 de novembro de 2010

A violência a dois quarteirões

Domingo, por volta de 20h, o telefone residencial toca. Do outro lado, uma voz atônita, um misto de choro e impaciência, pedindo que eu fosse buscar n'algum lugar que eu não conseguia compreender. Insisti, e finalmente "pesquei" um nome que soou conhecido.

Em momentos assim, a gente não pensa, porque sabe mais ou menos o que esperar. Não deu outra, quando virei à esquerda na tal rua, vi um pequeno aglomerado. Ao me aproximar, alguém abre a porta do carro, enquanto ela vem, cambaleando, descalça, e se joga no banco.

É inevitável questionar, e a verdade dos fatos é um soco no estômago, de quem sofre, de quem presencia, de quem está perto da vítima da violência urbana. Camila, minha irmã, voltava do trabalho... desceu do ônibus e caminhava, como faz todos os dias. Na rua em que estava há um templo, e num domingo é comum que haja carros transitando no local.

Só que um carro para, um indivíduo desce e ordena que ela entregue a bolsa. Ela não só não entrega, como começa a gritar; o ladrão agride, na tentativa de subtrair a bolsa; ela revida. Isso mesmo: revida. Socos, chutes, e muitos gritos. Obviamente, ela também foi agredida, e o soco que levou no olho esquerdo resultou no trincamento do osso naquele local.

Fora isso, tudo bem, por Deus ele não estava armado, e tampouco o comparsa desceu do carro. Ademais, o dito meliante deve estar, a essas horas, com um nariz quebrado e com danos nas partes íntimas, digamos assim. Os socos que ela lhe deu resultaram em sangue. Ou seja, ele saiu sangrando, sem a bolsa, e com a Polícia no encalço.

Sim, fiz questão de ligar para a Polícia, registrar a ocorrência, fornecer o máximo de lembranças que ela tinha. Os policiais ouviram os moradores, que gentilmente cuidaram dela até que eu chegasse, e também fizeram sua parte como cidadãos, ligando para a Polícia.

Recém chegada do hospital, ela está bem, mamãe está "anestesiada" com os fatos, e eu, indignada com esse absurdo que vivemos hoje. Minha irmã foi a vítima, mais uma. [Ok, ela reagiu, o que não é recomendado. Mas graças aos céus, está medicada, em casa, sã e salva]. Muitas famílias não tem a mesma sorte. Até quando?

O noticiário é abarrotado de violência cotidiana, e a gente parece meio alheio a tudo isso. Mas quando acontece com um conhecido, um parente, aí sim você percebe que de fato essa criminalidade cresce em progressão geométrica. A repressão do Estado, ao contrário, em progressão aritmética. 
Quem assistiu aos dois filmes Tropa de Elite compreende que somos responsáveis por esse caos. Eu falo "somos" porque a gente ou consome, ou conhece alguém que consome, sejam drogas, cd's e dvd's piratas, produtos contrabandeados, falsificados. Adivinhem só o que esse nosso dinheiro financia? V-I-O-L-Ê-N-C-I-A, e as variações do tema: assaltos, tráfico, sequestros, etc.

E você que lê esse post, lê jornais, assiste ao noticiário, ainda acha que não é com você? Desculpa, mas é sim. Continua comprando cd e dvd pirata, produtos falsificados, drogas... financia a violência, que ela chega até você, mais cedo ou mais tarde. Digo isso sempre ao meu namorado, sobre não adquirir qualquer tipo de mercadoria ilegal. A gente acha, inocente, "é só um cd, um dvd, um tênis"... é meu amigo, mas de grão em grão é que a galinha enche o papo.

É de cd em cd que esses marginais operacionalizam a violência. Pensa nisso!