quinta-feira, 3 de maio de 2012

A fé que nos sustenta

Há períodos na vida em que as coisas parecem habituais, nada fora do normal, a não ser um aborrecimento aqui, outro acolá. Honestamente, a sensação que me dá é que vai ficando represado, até que um belo dia, rompe e o caos dá as caras assim, na maior.

Esse ano têm sido de inúmeras "inundações"... quando a gente vai tirando a lama do caminho, secando e reorganizando o que sobrou, lá vem tudo outra vez. A vontade que dá é de construir uns andares, subir tudo e seguir a vida assim, empoleirado feito passarinho. 

Provavelmente, se estivéssemos falando de alagamentos de verdade, e não usando isso como metáfora, fosse mais simples mesmo colocar a geladeira sobre a mesa, e sair suspendendo o que pudesse. Mas com as vivências, os acontecimentos, não há jeito. 

Não obstante o "movimento" (termo da minha terapeuta) relacionado à saúde do vovô, meu café da manhã hoje foi a notícia de que a (até então, isso porque já há outro encomendado) caçula da terceira geração da família, está internada para exames, com suspeitas tenebrosas.

A caminho do trabalho, os avisos do Facebook vão delineando um panorama bem preocupante quanto ao caso. E ainda que o que nos una sejam os laços consanguineos, em prejuízo dos afetivos, situações que envolvem crianças, [suspeitas de] doenças graves e afins, sempre me deixam mexida, sobrestada.

A sensação é de torpor. Posso fazer ideia de como os pais se sentem nessa hora, a impotência, o temor, a expectativa dos resultados dos exames, a falta de bom senso de pessoas próximas, bombardeando de perguntas para as quais ninguém tem resposta [ainda]. Dentro do hospital, as horas não passam, eu bem sei disso... no dia da fatídica transferência do vovô, aflição era pouco para definir o cenário.

Para arrematar, o que resta e sustenta é a fé. Sem ela, nada tem valor... não há esperanças. Mas como em cada um de nós, ainda que num recôndito do coração, há uma centelha divina, vamos aguardar o deslinde... orando para que a vontade de Deus seja feita, em todos os sentidos. Para o vovô, e para a Letícia.

Porque o céu, depois da tempestade
Reserva sempre um sol radiante
E deixa o dia lindo!