sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A observadora: Supernanny e a saga da chupeta

Ontem foi feriado aqui em Fortaleza. Não costumo ver tv, mas em situações esporádicas, deixo ligada e sigo fazendo outras coisas, as bijuterias, por exemplo. Pois bem, o canal era o Home & Health, o programa, Supernanny.

O que me fez parar o que eu estava fazendo, gravar o trecho e usar como reflexão, dizia respeito à tarefa de tirar a chupeta de um menino de 3 anos. Primeiro, a Jo Frost disse que estava profundamente incomodada com o fato de aquela criança usar chupeta em idade tão avançada; ato contínuo, classificou como "muleta emocional".

Curioso porque a cena mostrava a criança, e a mãe em depoimento, apavorada com a ideia. De forma lúdica, o plano era contar a história da Fada Penélope (uma experiência prática, baseada na dica da SN, aqui), que identificaria a residência onde houvesse alguém com idade para abandonar o hábito, e enviaria um envelope para que, voluntariamente, a criança depositasse todas as chupetas, que seriam enviadas aos bebês que iriam nascer e precisariam muito mais das mesmas do que aquele(a) já crescidinho(a).

Sem pestanejar, o menino colocou todas e lacrou o envelope, levando-o à caixa de correio; no dia seguinte, foi até lá e viu papéis picados, glitter e afins, como um sinal de que a fada havia estado no local, e deixado outro envelope, igualmente colorido, repleto de bonequinhos e animaizinhos. Quando questionada sobre como o menino havia passado a noite, a mãe disse que houve uma única menção, e que o sono não foi prejudicado.

Longe de querer teorizar sobre o assunto, falo como observadora; mas há inúmeros sites e blogs que tratam do assunto "chupeta", classificando-a como "muleta emocional" dos pais. Na mesma linha, óbvio, estão mamadeiras e outros itens que remetem à fase da lactação. Segundo minha mãe, próximo de um ano, ela me incentivou a "jogar a chupeta pro gato", em cima do telhado; jogamos durante o dia, e à noite eu teria chorado, perguntando, e ela teria relembrado os fatos. Pronto, adeus chupeta.


O que deve ficar claro é que o artefato é lesivo em proporções catastróficas, quando do uso prolongado. Segundo o artigo extraído daqui: "O uso prolongado de chupeta projeta os dentes para a frente, prejudicando o desenvolvimento das arcadas superior e inferior. O resultado popularmente conhecido como 'dentinhos de coelho'.

Além disso, quem usa chupeta por muito tempo tem um aprofundamento do céu da boca (palato ogival), que fica mais estreito provocando inclusive problemas respiratórios. A correção das imperfeições dentárias decorrentes do uso de chupeta é obtida com a remoção do hábito indesejável e a colocação de aparelhos ortodônticos móveis ou fixos, na dependência do problema e da idade do paciente.

O uso prolongado da chupeta também trás problemas fonoaudiológicos. O mau hábito cria flacidez dos lábios, bochechas sem movimentos adequados e língua fora da sua posição adequada (longe do céu da boca, que é o normal)."

Merece reflexão o fato de que, consciente ou inconscientemente, a postergação da solução prejudica o desenvolvimento de alguém que está sob seus cuidados, sob sua responsabilidade. E, via de regra, a questão não está na criança, mas em quem se recusa a permitir que ela cresça. "O processo de retirada da chupeta tem que ser iniciado pela mente dos pais." (extraída daqui)