segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Divagando em contos V

"Fora avisada inúmeras vezes: nada viria fácil, tampouco manter-se-ia desse jeito. Os episódios de calmaria, na verdade, eram prelúdios de grandes tormentas. Aproveitava, porque enfim não se pode viver com medo, ou à espera do infortúnio. 

Mas, justiça seja feita, o inverso também era verdade: após cada 'tsunami', seguia-se uma fase de inventário do que sobrou, aprendia-se a lição necessária e seguia adiante, desfrutando as pequenas conquistas que se seguiam.

'Não existe almoço grátis' era uma das frases de seu repertório; pura realidade. E em meio a tanto recuo para posteriormente arrebentar[-se], ela não desistiu; simplesmente tinha em mente que, entre picos e vales, o que se leva da vida são as experiências... boas e ruins.

Quem a vê passar por aí, sequer imagina o quanto de destruição carrega dentro do peito, da mente... descortinada a pose, a carinha abusada e enjoada, resta uma mulher com cicatrizes, destituída de alguns pedaços, entretanto com uma aura cor-de-rosa e cheia de esperança. 

'Um dia a gente há de ser feliz, se Deus quiser!', como diria a letra daquela música [Janaína] do Biquini Cavadão. Ela acredita, e só por isso mesmo segue caindo e levantando."