segunda-feira, 10 de setembro de 2012

"Depende de quando e como você me vê passar."


Nunca houve – em todo o passado do mundo – alguém que fosse como ela. E depois, em três trilhões de trilhões de anos – não haveria uma moça exatamente como ela.
(Clarice Lispector)

Ok, toda frase dita depende de um contexto para ser corretamente compreendida. Deixemos tal informação de lado, e a interpretação a critério de cada leitor(a). E, alerto, sinto muito se quem me lê vai me julgar pedante. Aliás, mentira, não sinto. Quem me conhece, aqueles que me são caros, hão de corroborar o que direi.

Sempre fui exigida ao extremo, como primogênita. Os que "abrem a porteira", via de regra, são quase que cruelmente alçados ao posto de "modelo a ser seguido". Um vida de "nãos", de "você precisa ser o exemplo", e toda sorte de variações sobre o mesmo tema burilaram [ou pelo menos contribuíram de forma significativa para] quem sou hoje. 

Se foi ruim? Difícil dizer. 

A maior vantagem de desbravar os caminhos talvez seja o amadurecimento. Sim, as cicatrizes pelo corpo são a prova das batalhas enfrentadas, ainda que perdidas. Daí a justificativa para a frase que abre o post: posso não ser perfeita, estar a anos-luz disso, mas sou consciente do meu valor. Ou pelo menos da maior parte dele. Ainda que ferida por experiências ruins que insistem em não cicatrizar, e aqui me refiro ao que passei 4 anos ouvindo, sei que sou preciosa e agrego a quem quiser seguir ao meu lado.

Da mesma forma, valorizo pessoas que merecem. Esconjuro desafetos (e quem não o faz?). Sou autêntica. Se, por motivos alheios à vontade, não posso verbalizar o que vai na mente, no coração, escrevo. Chega de guardar, a solução é vomitar tudo, aqui ou no blog secreto, a depender se desejo ou não que repercuta.

Claro, eu já disse e torno a repetir: se possível fosse, melhor dizendo, se vivêssemos à época da Lei de Talião, ficaria imensamente satisfeita em desferir golpes os mais diversificados possíveis, para satisfazer o meu ímpeto de não levar desaforo para casa. Todo mundo tem um lado sombrio, como diria a minha terapeuta. Costumo chamar de "o meu lado Darth Vader", o lado obscuro da força.

A questão é que eu procuro viver a minha vida, tranquila, do lado de cá. Aos desavisados, cuidado, melhor não atravessar o meu caminho. Siga adiante, não me olhe, não me interpele, e tudo vai ficar bem. Mas se quiser brincar, pode descer ao play: estou aguardando.

*o título do post é outra frase de Clarice: "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar."