quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O segundo mês e a saudade vívida

Dia 29 deveria ser só o dia da tradição de comer nhoque. Mas desde junho, passou a ser dia de saudade, que o passar do tempo não consegue amainar...

Eu, que nunca fui seguidora do catolicismo, ontem pela terceira vez coloquei o nome do nosso doce mais doce nas intenções da missa de 18h30 de hoje, na paróquia de sempre. Não me pergunte as razões, porque ficarei devendo as respostas. Simplesmente faço.

Impossível não pensar que, se houvesse um único minuto em que tivesse sido dado o poder de escolha entre deixa-la viver (com saúde restabelecida) e partir, eu partiria sem qualquer dor na consciência. Vivi 31 anos, quebrei a cara, tive momentos de felicidade, de uma forma ou de outra, aproveitei a vida.

Não realizei alguns dos sonhos que alimentei, mas isso perderia totalmente a relevância, diante da possibilidade de permitir que a batutinha aprendesse a falar, e enchesse os familiares de "por que?", e sentisse ciúmes do irmãozinho, que fosse à escola de mãos dadas com a irmã mais velha, com quem disputaria brinquedos e atenções.

O que ela representou em nossas vidas ficará eternizado em lembranças, em fotos, mas também em expectativas que jamais se concretizarão. Inevitável acompanhar o desenvolvimento de crianças em idade próxima, sem lamentar o fato de que nunca vai acontecer com ela.

Também não vou me render aos comentários sobre a vontade das demais pessoas em esquecer o que passou. Sempre que a saudade apertar, vou escrever sobre isso e chorar, porque é assim que eu lido melhor com tudo isso. Como tudo na vida, na minha vida. Lê quem quer, vem aqui quem quer.

E todo dia, o meu "bom dia" no escritório é a montagem que a tia Jéssica fez, que está na área de trabalho do meu computador. A foto é a representação material de tudo o que vivi, e aprendi com o sofrimento, e a lembrança de que retroceder não é opção, posto que a missão dela não será, jamais, esquecida.

Perdão, mais uma vez, e obrigada docinho.