quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Infância, esportes e desistência

"- Por que você não volta pra luta, você gostava tanto!"
"- Mas é tão bom, tão fácil caminhar."

Sim, eu amo muay-thai, e também não vejo problemas com a caminhada. Só que não tenho explicação para o fato de que as coisas na minha vida, especialmente ligadas a esportes, ficam pelo meio do caminho. 

Tenho elocubrado possibilidades, e de forma bem insípida, tocado no assunto com a terapeuta, de modo que as rasas impressões apontam para questões na infância. Por sinal, confesso que sempre achei balela esse negócio de certas coisas "serem oriundas" de traumas vivenciados na infância. Ledo engano.

As feridas abertas nas primeiras fases da vida jamais cicatrizam, no máximo, passamos o resto dos dias escondendo sob curativos vagabundos, de modo que vez ou outra elas se revelam e trazem à tona dores reais, que julgávamos superadas.

Porém, retornando ao cerne, não fui criada numa família adepta de regularidade esportiva. As primeiras incursões foram frustradas... o balé, por volta dos 6 anos, foi interrompido por caxumba e abortado em razão da mudança de escola. O vôlei, um grande amor da infância e pré-adolescência, foi vítima de um pai austero, eternamente insatisfeito. 

Para ele, meus joelhos nunca estavam esfolados o suficiente, e sempre havia alguém digno de maior destaque que eu. De tanto ouvir que eu não era dedicada, não fazia direito, desisti. Não me recordo com detalhes, mas o registro aqui dentro é esse: você não é boa, não é dedicada, não vai conseguir.

Adicione aí um auxílio de uma mãe cismada com o sono dos filhos pré-adolescentes, que decidiu que o certo era empurrar Sustagem goela abaixo nos dois. Detalhe mortal: após o almoço. Eu, que sempre fui magra, nunca mais fui a mesma. O resto é luta e sofrimento, até hoje. A genética desfavorável foi despertada numa fase crucial, aos treze anos.

Bom, mas de nada adianta chorar o leite engolido, kkk. Terapia, reeducação alimentar, atividade física e fé de que vai dar certo, mais cedo ou mais tarde. Não será em esforço, porque nunca foi. A questão é não desistir mais uma vez.