terça-feira, 2 de outubro de 2012

O jogo da vida real

Lembro bem quando, inúmeras vezes e em meio à profusão de lágrimas e confusão de sentimentos, pedi que Deus me mostrasse o que era necessário aprender com o sofrimento, para então seguir adiante rumo à próxima etapa da vida.

Quantas incontáveis noites de vontade de fugir, ou manhãs em que o despertador tocou e eu quis imensamente arremessá-lo na parede... eu pensava mais ou menos algo como o que Liz Gilbert escreveu, num trecho de "Comer, Rezar e Amar": 

"A única coisa mais inconcebível do que ir embora era ficar; a única coisa mais impossível do que ficar era ir embora. Eu não queria destruir nada nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem conseqüências, e depois só parar de correr quando chegasse à Groenlândia".
 
Curioso porque a coragem andava de mãos dadas com a própria falta de. Até hoje, nem sei se fui realmente embora; porquanto voltei várias vezes, ignorando os alarmes todos. Eu corri para longe, com a mesma intensidade e afã com quem retornei.

Hoje, ainda recolhendo cacos de um semestre heavy metal, vez por outra me deparo com algo fora do lugar. Ou com coisas que já deviam ter sido descartadas. Devagarinho, ajeito aqui, jogo fora acolá... e percebo que outros pequenos vendavais vão levantando poeira, como se quisessem mostrar que nada nessa vida permanece estático, imutável.

Os dasafios são novos, as peças do jogo são outras, com as quais vou aprendendo a lidar cotidianamente, já que o jogo da vida real não vem com manual de instruções. Tabuleiro organizado, aparece um engraçadinho para puxar a toalha e derrubar tudo. Novo começo. Eu já devia estar acostumada, não é verdade? Mas não.

Se ainda quero fugir, nem sei. [Sim, quero.] Não, quem sabe eu deva ficar e enfrentar. [Vale a pena.] E acho que se eu tiver de correr, que seja até Maranguape, rsrs.