sexta-feira, 7 de março de 2014

Desagravo

Há pessoas na vida da gente que, honestamente, servem mais para atrapalhar, do que para fazer despertar aquele sentimento que nos impulsiona a evoluir espiritualmente. É o tipo de pessoa que, muito longe de nos cativar, alimenta nossos instintos mais primitivos, alguns dos quais estão capitulados no Código Penal pátrio.
Pois bem, eu não tenho receio de admitir que sou egoísta: o que é meu, é meu. Isso no aspecto material, ok? Pessoas não são propriedades, ainda que eu defenda as que me são caras, com unhas e dentes.

Retomando o raciocínio: eu trabalho desde os 18, 19 anos. Com a contrapartida [financeira] do meu esforço, adquiro bens materiais, dos quais usufruo como me convier fazê-lo. Daí porque julgo absurdo, quase um crime mesmo, a criatura fazer uso (sem qualquer permissão), daquilo que me pertence.

A brilhante solução que as pessoas me apresentaram, a de trancar o quarto, além de representar o total fracasso da pedagogia para o caso, revelou outra tendência de nuances igualmente vis: a "caça" à cópia da chave, que a empregada cuidou de "mudar de esconderijo" justamente pela reiterada prática de "caça".

Bom, eu vejo programas de investigação criminal, e estou começando a perceber que os comportamentos dos psicopatas, maníacos, vai se revelando durante o curso da vida, até o dia do primeiro crime. Ninguém se torna assim da noite para o dia, isso é uma construção, e quem está próximo vai se omitindo, julgando isso ou aquilo como "excentricidade", dizendo "-não se incomode, ele(a) é assim mesmo.

O Senador e Professor de Direito Constitucional, Pedro Taques, ex-Procurador da República, disse que "não é a ocasião que faz o ladrão, a ocasião apenas desperta o ladrão que há em você". Eu concordo, porque há muita gente honesta que tem livre acesso aos bens alheios, e jamais se deixou seduzir, segue firme em seus princípios, respeita seus valores.

O post de hoje é um desabafo, um desagravo, e um alerta aos pais: criem seus filhos para que compreendam que o próprio direito finda onde o do outro tem início. O que nos torna diferente dos animais, segundo consta, é a capacidade de raciocínio. Já os animais, tidos como irracionais, dão lições sobre convivência e respeito ao espaço do outro.