quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O que a depressão quer, mas não vai nos tirar

Ontem foi o dia da saudade. Eu poderia escrever sobre a imensa falta que a Letícia me faz, ou quanto meus avôs Antonio e João foram amados e agora são só lembranças boas. Mas a saudade que eu senti profunda, dilacerante, refere-se a uma pessoa que está entre nós. Literalmente.

Muito se ouve sobre depressão, mas só quem viu, ouviu, dormiu e acordou ao lado do espectro que um dia foi alguém alegre, comunicativo e amoroso, vai compreender o que eu sinto. 

Minha única tia materna. Minha madrinha. Aquela mulher em quem eu tento - a todo custo - me espelhar para ser em relação às minhas afilhadas, foi-nos roubada; no lugar, só um corpo que se entrega dia após dia a uma doença amaldiçoada, para a qual pouco se pode fazer de concreto.

É com muito amor, muita dedicação, e imbuídas de uma fé que sequer imaginávamos haver em nós, que a recebemos em nossa casa na última segunda-feira. Os relatos do esposo davam conta da gravidade do caso, mas a realidade - ao vivo - é impossível de ser descrita em palavras. A cruel repetição de ideias autodestrutivas, autodepreciativas, deletérias... como uma música que empacou em determinada parte. 

As soluções ilusórias, a necessidade imperiosa de dar fim ao pesar através da morte, tudo isso nos corrói; mas como eu disse anteriormente, ainda que seja difícil, existe um Deus que nos diz que nada está acabado, nada é impossível.

Estamos comemorando ínfimas vitórias, como conseguir fazê-la comer, ou tomar banho, ou simplesmente trocar de roupa, tirar o pijama. Ontem conseguimos pequenos progressos, como tirá-la de casa. 

Dia da saudade? Ok, ontem não deu tempo de escrever sobre. 

A saudade que eu sinto é a força motriz para resgatar esse ser humano, aquela tia-referência, tudo. É o amor por tudo o que ela representa para mim, é por isso. É por mim, é por ela, é pela minha mãe.

Vamos vencer. Não há dúvidas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O que tirar de lição da tragédia de Santa Maria.

A tv e eu já tivemos dias melhores em nossa relação. Confesso que não tenho mantido ligada, salvo pelas manhãs enquanto me arrumo para trabalhar. Enfim. Daí que ontem fiquei sabendo da tragédia de Santa Maria - pasmem - pelo Facebook. Corri para a frente da tv, liguei na Globonews e lá estava o cenário... 

Para além de chover no molhado e tecer comentários acerca do ocorrido, flagrei-me pensando em como a gente dá pouca ou nenhuma importância à própria segurança... ou você é do tipo que entra num local já de olho nas saídas de emergência, presta atenção de fato nas instruções dos comissários nos vôos, sabe manusear um extintor de incêndio?

Parece estúpido, mas a gente só se preocupa quando uma tragédia desse porte ocorre. Quem pensou em martelinhos nas janelas dos ônibus, antes da desgraça que vitimou os 42 passageiros da Itapemirim? E tantas outras decisões somente após acidentes fatais? 

Fica o alerta para que cada um faça sua parte, inclusive denunciando locais sem extintores visíveis, sem sinalização de emergência, etc. Isso não vai trazer os 231 mortos de volta, mas pode ajudar a evitar outras perdas lastimáveis.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Divagando em contos III

"Um dia, ela olhou ao redor e percebeu que as pessoas nas ruas haviam perdido um pouco a cor... meio desbotadas, meio desfocadas. O que estava acontecendo? Os óculos estariam com lentes desatualizadas? Ou simplesmente sujos?

Parou, limpou, recolocou e nada! 

Seguindo, deu-se conta de que, ao passo que as pessoas eram monocromáticas, o mundo parecia  mais colorido, mais vivo. Não comentou, guardou consigo aquelas impressões todas.

Sozinha, mais tarde, repassou mentalmente o dia. Foi então que veio o estalo. Claro, como não havia pensado nisso antes? Que óculos fracos que nada; sujeira, muito menos... a poesia do encantamento, o sentimento correspondido, manso, profundo, tornava o mundo um lugar melhor de se viver, e transformava "os outros" em tão somente "os outros".

De especial, só um. Só ele. A razão do sorriso fácil, dos sonhos, dos planos. 

Ele. <3 i="">

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Divagando em contos II

"Levantar da cama antes do horário de rotina, sem reclamar, lavar os cabelos e ganhar o mundo. Legalmente incorreto, porém perfeito para um início de manhã, dirigir ouvindo [no viva-voz] uma amiga mais que especial, que aproveitou uma brechinha na agenda atribulada para dar o ar de graça.

Ainda que o atraso fosse por culpa do trânsito, como de costume, nada de reclamações. O cabelo secando ao vento, a roupa colorida para uma dia ensolarado, o sorriso no rosto sem maquiagem... 

E para arrematar o começo de mais um dia de trabalho, uma xícara de chá. Não o habitual chá verde e suas propriedades termogênicas, antioxidantes. Não, hoje é dia de cheirinho de infância, perfume de carinho, gostinho de afeto. Cada gole, uma lembrança que abraça.

Felicidade simples."