terça-feira, 3 de junho de 2014

"Pessoas que são donas da verdade e irredutíveis em suas opiniões"

Ontem, voltando para casa após um encontro adorável com uma querida, que eu conhecia há, sei lá, 8 ou 10 anos, somente pela internet, ouvi a coluna da Inês de Castro na Bandnews FM.

A coluna se chama "Dentro do Espelho", que vai ao ar de segunda a sexta, às 11h17, 20h25 e 4h57. Caso prefira acompanhar, ou ouvir o áudio do que vou transcrever a seguir, basta acessar http://bandnewsfm.band.uol.com.br/colunista.aspx?cod=37

Pois bem, na coluna do dia 02/06/2014, ela falou de um tipo bem comum de gente, ou melhor, de comportamento humano. Transcrevo:

"Tem gente que não discute, não ouve, não avalia opiniões alheias. É gente que sabe, e porque sabe não precisa que ninguém lhe diga nada, as opiniões estão todas prontas, fechadas, concluídas. Dá um pouco de medo dessa gente que sobe no seu 'palco imaginário', esses 'discursivos' de plantão, que a bem da verdade são um pouco burros também. As boas construções de ideias,  de possibilidades, de soluções são feitas à custa de muito ouvido, também de palavras ditas, mas de muitas mais escutadas. Quem ouve os outros, e dos outros, tem muito mais chances de elaborar pra si mesmo, refletir o que pensava, o que passou a pensar, e o que talvez, no futuro, vá pensar. É predicado dos mais inteligentes, também, o 'saber mudar de ideia'; não sempre, nem à toa, mas quando provocado por alguém que lhe traga uma possibilidade melhor que aquela que se acreditava antes.

Dia desses eu fui a uma palestra, e a senhora palestrante em questão começava todas as suas frases dizendo '-olha, é assim'; e à todo 'é assim', eu percebia a plateia se revirando, incomodada, porque as sentenças e ideias vinham todas prontas e concluídas, e não permitiam a participação de mais ninguém. Então o espaço foi se esvaziando, se esvaziando, ficaram uns dois ou três gatos pingados, talvez os mais curiosos em saber até onde ia a palestrante com o seu 'discurso hermético'. Sem graça, ela acabou botando um ponto final e foi embora, sozinha. Aliás, como ficam todos aqueles que falam muito, mas não sabem ouvir." 

Não é segredo para quem me conhece pessoalmente, ou para quem lê o blog, que eu já construí e reconstruí inúmeras vezes os meus pontos-de-vista; especialmente no que tange aos comportamentos de vida, a exemplo do fato de haver abandonado hábitos alimentares ruins. Há, sim, bandeiras que eu sustento e defendo, até que me apresentem ideias capazes de promover mudanças. 

Se não fosse para ouvir mais do que falar, por que raios teríamos dois ouvidos, e somente uma boca? E o cérebro está aí não só para preencher o espaço vazio da cabeça, mas para ser utilizado.