terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Picos e vales, roupa suja e responsabilidade

Li num blog desses - sei lá onde, confesso - que a gente escreve para exorcizar, dá vazão à verborragia numa tentativa de processar tudo, vomitar, e se livrar daquilo que incomoda. Numa análise superficial, é bem verdade... quando os picos se tornam vales, a gente se limita a apreciar a vista, ouvir o som do vento, sentir o calorzinho gostoso do sol, matar a sede e rezar para nunca mais sair dali...

Não sei se os vales são prêmios - em razão de haver vencido os picos - ou se são momentos de preparação - que antecedem a escalada. Só posso afirmar que, no meu caso, achei prudente observar mais e reagir menos, ao invés de fazer tudo no automático, ou pior, culpar os outros por isso ou aquilo.

Ontem, por acaso, li um artigo antigo da revista Vida Simples, que caiu como uma luva nesse momento de reflexões e mudanças de atitudes... o nome é "Transferência de culpa", e pode ser lido aqui. Curioso é que acabei lendo a matéria após ter conversado com mamãe sobre sugestões para reorganizar a situação doméstica, com divisão de tarefas e criação de um cronograma a ser cumprido pela assistente, que a partir dessa semana, comparecerá somente às terças e sextas.

Mamãe é a rainha, hors concours, no quesito reclamação e insatisfação, quando o assunto é casa, comida e roupa lavada. Esqueça, você jamais será capaz de agradá-la, ainda que lave a casa toda ou cozinhe os melhores pratos, ela vai achar uma poeira sobre a estante da sala, ou reclamar que o cachorro está cheirando mal. Daí porque trazer qualquer proposta com o tema "serviços domésticos" já provoca nela arrepios.

Pois bem, noutra oportunidade, eu teria perdido a cabeça com os argumentos; mas eu decidi - e comuniquei - que não hei de me aborrecer, não mais. Finda a conversa, preparei meu jantar, lavei a louça que sujei, limpei o fogão e decidi que lavaria minha própria roupa suja. 

Quanto à roupa suja, uma explicação: se a diarista só vai 2x por semana, e tiver de somente passar as roupas já lavadas, vai poder realizar tarefas, digamos, mais pesadas. É estratégia! Mas tem um detalhe: nunca lavei roupa na vida. Ah, sim, lingeries não entram no conceito, ok? Quando me refiro a roupas, reporto-me às blusas e camisas, vestidos e afins, com aquelas etiquetas de instruções de lavagem, etc. e tal. Pois bem, recorri ao Google, absorvi o máximo de conhecimento possível e parti para essa nova empreitada.

Ao estender a última peça de roupa no varal, com as cautelas devidas para que amassassem minimamente, senti orgulho tamanho, que decidi: ia lavar o banheiro. Ok, nada demais, afinal eu trabalhei na governança de um hotel, fui treinada direitinho (apesar de tais atividades passarem ao largo das minhas reais obrigações. Fi-lo porque qui-lo, e não me arrependo). 

Que venham as responsabilidades conscientes, e as mudanças, de atitudes, de pensamentos, de peso, de casa, de estado civil... tudo nessa vida tem a "moral da história".