segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Travessia cega, porém consciente

O dia hoje foi de revisitar lembranças dolorosas. Sim, ainda que o tempo passe, há episódios que são tão carregados em tintas vivas, que o mero acesso a eles já causa algumas manchas. Só que eu posso escolher como me sentir a respeito: a terapia me ajudou nesse aspecto.

Pois bem, reavaliando com calma, estou convencida de que é preciso mesmo abandonar as velhas roupas e esquecer os caminhos, como diria Fernando Teixeira de Andrade. Porque o novo, o desconhecido, só se revela aos que têm coragem... nessa fase de mudanças, abrir as caixas emocionais e promover uma limpeza consciente, separando aquilo que segue conosco, daquilo que deve ser deixado para trás, é a pedra-fundamental para o próximo passo.

Não posso ser desonesta e dizer que não tenho medo, porque sim, eu tenho; mas a minha vontade, aliada às certezas que os dias me mostram, servem de impulso para saltar sobre o abismo. Sim, eu posso cair, mas prefiro acreditar que alcançarei o outro lado, para seguir adiante nessa jornada. Eu poderia esperar, reunir condições mais favoráveis, porém pondero que, se ficar pensando muito, vou acabar desistindo. 

Quem sabe se não é essa a porta, finalmente? Preciso bater para saber se ela se abrirá... já bati em tantas outras, então não há razões para não tentar mais uma vez. Com fé, sabedoria, e muito, muito amor, eu sei que vai ser essa. E, dizem, quem tem amigos, tem tudo!